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Expedição que descobriu árvores gigantes revela importância das comunidades tradicionais para a pesquisa e conservação da Amazônia

Publicado: Quarta, 04 de Setembro de 2019, 17h36 | Última atualização em Quinta, 05 de Setembro de 2019, 10h05

A participação de moradores da comunidade de São Francisco do Iratapuru, localizada no vale do Jari, na expedição Jari-Paru (que descobriu em área protegida, entre os estados do Pará e Amapá, um santuário ecológico de árvores gigantes - a  mais alta mede pouco mais de 88 metros de altura) ganhou um capítulo à parte nos relatos de um dos integrantes da equipe, o professor pesquisador do Instituto Federal do Amapá (Ifap) Diego Armando Silva. Para ele, a presença participativa dos moradores do local revelou forte laço de integração entre a ciência e o conhecimento tradicional.

“A comunidade foi sensacional, verdadeiros guardiões da floresta. Existe uma interação das comunidades locais com a pesquisa científica e com conservação de santuários na Amazônia, e o Ifap é um exemplo dessa interação, principalmente com pesquisas aplicadas em comunidades locais, e a comunidade de São Francisco de Iratapuru é uma delas”, disse Diego Armando, que desenvolve pesquisas na região e atualmente coordena o curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental, do Campus Laranjal do Jari, de conceito 4 no MEC.

Segundo o professor pesquisador, a expedição, realizada entre os dias 14 e 25 de agosto, mapeou cerca de 15 árvores da espécie Dinizia excelsa Ducke, mais conhecida como angelim-vermelho, e ainda fez o inventário florestal de outras espécies em torno do santuário, coletando informações dendrométricas (o mesmo que medidas de árvores) e material genético e botânico das espécies. “Os desafios, agora, estão em entender por que essas árvores cresceram tanto, os fatores genéticos, climáticos, edáficos (solo) e fisiológicos”, explicou.

O Campus Laranjal do Jari do Ifap garantiu a logística local da expedição, que ganhou o reforço do acadêmico Márcio André Furtado Freitas, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, cuja família reside na comunidade de São Francisco do Iratapuru. Segundo Eric Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que coordenou a expedição, a participação do Ifap aproximou os pesquisadores de uma rede de contatos essencial para a realização da expedição.

“Foi essencial porque não tínhamos experiência com a organização de expedições na região amazônica, como, por exemplo, compreender a sazonalidade dos rios, o período de chuvas, o desafio logístico. E quando nos foi indicado o nome do Diego, foi ótimo para nós, surgindo aí um casamento perfeito com alguém que vive e atua profissionalmente na região e nos aproximou de uma rede de contatos que foi essencial para o desdobramento dessa expedição”, ressaltou.

O pesquisador destaca, ainda, que a participação de alunos do Instituto facilitou o contato com a comunidade local. “Inclusive muitos são alunos do Ifap e isso facilitou muito o canal de conversa, fez com que a comunidade apostasse na ideia junto com a gente, e também teve a questão do apoio logístico dentro do estado no translado, compra e mobilização dos materiais, e todo o deslocamento dos pesquisadores”.

 

Iniciação Científica

De acordo com Eric Gorgens, a identificação da ocorrência de árvores de porte gigante na região de floresta entre o Amapá e o norte do Pará partiu de um projeto de iniciação científica que teve por base o estudo de mapas da biomassa da floresta amazônica, produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nos anos de 2016 e 2018, com financiamento do Fundo Amazônia. O grupo de pesquisa envolve universidades brasileiras e estrangeiras do Reino Unido e Finlândia. O estudo identificou sete transectos (região de ocorrências das espécies de estudo) de árvores gigantes, todas de altura superior a 80 metros, dos quais seis estão dentro das áreas protegidas, que engloba corredores de biodiversidade do Amapá e central da Amazônia.

 

 A Expedição

Batizada de “Jari-Paru: em busca da árvore gigante”, a expedição foi composta de cerca de 30 pessoas e durou aproximadamente dez dias. As árvores medidas pela expedição estão localizadas na Unidade de Conservação (UC) Floresta Estadual (Flota) do Paru, no Pará. A região de área protegida limita-se, ao norte, com a Reserva Biológica (Rebio) Maicuru; ao sul, com a Floresta Nacional (Flona) da Mulata; a sudeste, com a Estação Ecológica (Esec) do Jari; a leste, com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Uiratapuru; a oeste, com a Flota do Trombetas; e a noroeste, com a Terra Indígena (TI) Zo’é e a Esec Grão-Pará.

A Flota mede 3,6 milhões de hectares e tem 96% de sua área coberta por florestas bem conservadas, que abrigam espécies raras de animais e plantas e é cortada pelos rios Jari, Paru, Maicuru, Curuá e Cuminapanema. As atividades econômicas praticadas na Flota são a concessão florestal, a coleta de produtos não madeireiros, a exemplo da coleta de castanha-do-brasil e de camu-camu. Alguns moradores cultivam pequenas roças principalmente para o consumo próprio. A área onde foi encontrada a árvore gigante é destinada à preservação da espécie.

A expedição científica foi coordenada pelo professor pesquisador Dr. Eric Bastos Gorgens, da UFVJM, e contou com a presença dos professores pesquisadores Dr. Diego Armando Silva (Ifap), Dr. Robson Borges e Dr. Perseu Aparício (Ueap), Dra. Wegliane Campelo (Unifap), Msc. Jhonathan Gomes (Ufal), Dr. Tobias Jackson (University of Cambridge), Dr. Sami Walid Rifai (University of Oxford), Dr. Marcus Vinícios (Embrapa-Acre), também de militares do Corpo de Bombeiros do Amapá, do escalador Fabiano Moraes (empresa Amazon Tree Climbing), e a colaboração técnica do Governo do Estado do Amapá (Sema/Setec/Diago), Fundação Jari, ICMbio, Inpa, Inpe e Nasa. O apoio financeiro para a realização da expedição partiu da UFVJM, Universidade de Cambridge e Inpe.

 

Por Keila Gibson, jornalista do campus Laranjal do Jari

Instituto Federal do Amapá (Ifap)
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